A Promessa da Astrologia

O estudo dos astros e das suas simbologias fazem parte da via e da vida astrológica daquele que se inicia nesta esfera. Numa perspectiva pessoal considero ser uma via complexa, de pura investigação nos meandros do esoterismo e que inclina por vezes à desistência e à desilusão por aquilo que se testemunha numa fabulosa era em que os assuntos espirituais e esotéricos viram moda nas redes sociais. Aquele que envereda por esta via sente na pele a grande confusão astrológica que atrapalha e distorce o estudo, pelos livros que se tentam destacar com novos métodos e termos astrológicos, com a criação de ramificações astrológicas que exaltam as frivolidades da actual existência humana (astrologia do fitness, astrologia da moda, astrologia multidimensional, vibracional, sem glúten, sem GMO e ultrapasteurizada, sendo até possível saber que tipo de dieta se adequa mais ao seu signo).

Uma espécie de Astrologia a metro ostentada numa Ementa Astrológica com um vasto leque de “sabores e experiências” à disposição.

Quando a confusão astrológica impera e deixa até de fazer lógica com aquilo que a arte se predestina a realizar, torna-se essencial encontrar fontes de informação “bem preservadas e conservadas” para uma investigação mais coerente, rica e confiável. Felizmente, existiram e existem autores e fabulosos astrólogos dos nossos dias que se dedicaram apaixonadamente à restituição da beleza desta arte e que incitam a chama da curiosidade e da motivação pelo estudo do conhecimento astrológico que ecoa ao longo do tempo através de grandes mentes do passado.

Com a Astrologia fortalecemos a nossa intimidade com as dinâmicas dos astros onde vemos reflectidas as nossas dinâmicas pessoais e aquilo que nos caracteriza na Terra como nas esferas superiores ou, como preferencialmente gosto de chamar, no mundo Sublunar. De certa forma opera-se com um sistema determinista sobre os efeitos e os padrões que se fazem prever, porque de facto se mostram determinados ou diria até conjunturalmente destinados acontecer. Apenas se poder prever o que já se encontra em processo de manifestação ou que está de facto predestinado acontecer pela força das conjunturas, das sincronias e pelos comportamentos previsíveis, mesmo se sabendo das incertezas/possibilidades que podem influenciar um resultado desejado ou indesejado. Garante um meio ou forma de previsão de resultados que toca nas teias do destino, das decisões, das vias e dos caminhos bifurcados que irão culminar num ponto único, unicamente proporcionado e patrocinado por toda a nossa esfera mental, física e energética. E tendo em conta esta perspectiva levanta-se a questão do determinismo e do livre arbítrio da existência humana e umas das questões que mais desafiam o papel do astrólogo nas suas práticas e nas suas previsões.

Pessoalmente, considero que a história da vida ou a Jornada do Louco (numa aproximação tarosófica) se rege pelas condições e circunstâncias que se testemunham no nascimento, na infância, na adolescência, na fase adulta e até à via de decadência. Tais fases são perfeitamente previsíveis pela condição humana neste planeta, como pelo ciclo natural de vida e morte. É também previsível que cada indivíduo tenha que passar por um processo de adaptação a um corpo físico, que tenha que desenvolver as suas faculdades mentais, a sua coordenação motora, que tenha que conhecer os estímulos provocados pelos sentidos físicos e extra-físicos, que tenha que criar, se exprimir, se integrar nos modelos impingidos pela sociedade, família, pelos valores, pela cultura, que tenha de se relacionar, de questionar, errar, de sobreviver… e, principalmente que tenha procurar e concretizar a sua promessa de vida ou propósito da sua existência. Toda esta conjuntura torna o individuo previsível pelos comportamentos e padrões que demonstra ou pelos quais se predispõe nas suas experiências e aprendizagens pela vida. Toda esta evolução necessária e saudável da natureza humana é marcada desde o primeiro sopro de vida. Obviamente que é necessário que haja uma identificação de acontecimentos, da evolução social, relacional, familiar e vocacional e do temperamento de um indivíduo para que algo seja possível de se prever na prática astrológica. Embora isto seja desconhecido ao Astrólogo, os planetas vão reflectir e demonstrar o “guião” desde que esse começou a interagir no plano físico. A própria energia da pessoa reflecte a forma como ela cumpre ou não os “trâmites astrológicos” demonstrados pelo seu nascimento, seja pela verbalização, pelos acontecimentos, pelos modos e comportamentos, pelos padrões ou pela condição mental e física. Na prática astrológica tudo isso é relacionado com os astros através do pensamento hermenêutico do Astrólogo, porque ele acredita, compreende e sente na sincronia dos eventos e nas correlações existentes entre as esferas superiores e tudo aquilo que está na Terra.

É até possível, a prevenção e a alteração de alguma acção ou evento sob a orientação astrológica, na medida em que as conjunturas de um futuro próximo reforçam positivamente ou negativamente um resultado previsto, não necessariamente na altura em que algo se manifesta mas tendo em conta as possíveis reverberações do impacto que uma acção possa provocar mediante o temperamento e comportamento do indivíduo segundo as suas capacidades emocionais, mentais e físicas demonstradas. É o indivíduo que determina que de forma deve usar o seu livre-arbítrio, mas é o determinismo que o obriga a experimentar os efeitos daquilo que gerou, provocou ou alterou. Nada escapa à lei da causa e efeito, contudo será livre pelo acto de criar seja qual for a sua forma de expressão e por isso ele poderá sempre se regozijar.

 

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