ASTROLOGIA ESPIRITUAL

Ingresso de Júpiter em Escorpião
10 Outubro, 2017
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ASTROLOGIA ESPIRITUAL

Do ponto de vista espiritual e astrológico, todos os indivíduos estão sujeitos às dinâmicas do Spiritus, seja de forma positiva ou negativa. Quando falo em Spiritus, neste contexto, considero que todas experiências da vida condicionam a subjectividade e a construção da individualidade de um sujeito. A identidade social que o identifica, reflecte a sua história pessoal e o conhecimento que adquiriu das suas experiências, compartilhadas com uma compreensão própria. Tal compreensão transcende a sua realidade e encontra espaço no seu íntimo, sublimada pelas suas emoções.

Portanto, neste ponto de vista, as experiências da vida de um indivíduo correspondem a uma sequência de presenças e experiências espirituais, algumas boas, e outras menos boas, que influenciam a sua subjectividade. Deste modo, o seu mundo interno está condicionado pela sua opinião e processos de julgamento, tendo em conta as circunstâncias históricas, sociais, políticas e culturais. O que tudo isto remete para motivações internas, que designa a dita Psicologia tal como a conhecemos. Mas, que os Medievais associavam à presença e à influência de ‘espíritos’.

Geralmente, os espíritos podem ser compreendidos como figuras humanas extra-físicas ou até associadas a fantasmas e a seres demoníacos. Tudo depende da perspectiva cognitiva sobre os espíritos. Na minha opinião, traduz-se por energias ou manifestações que influenciam directamente e indirectamente o nosso Spiritus, tenham elas forma ou não.

Astrologicamente falando, estes espíritos podem ser naturais ou inatos, associando-se às Motivações Primárias ou ao Ingenium. Podem também ser espíritos alheios, designados por Cacodaimon ou Evdaimon.

Como exemplo, Gemini (Gémeos) ascende no mapa natal/natividade da imagem ao lado, e o regente Mercúrio ascende também em Gemini, no seu signo em conjunção a Júpiter.

Uma leitura de cariz astro-psicológico traduz esta configuração por um indivíduo versátil, que adora comunicar e expressar as suas ideias, tendencialmente dispersivo e volátil. Demonstra um intelecto notável e que tentará dominar as suas áreas de interesse, nas quais poderá leccionar e trabalhar.

Numa abordagem Medieval, Mercúrio no seu domicílio demonstra pessoas de natureza inventiva, preocupados e ocupados com as mais diversas coisas, precipitados, desleixados, inconstantes e os que mais surpreendem nas circunstâncias da vida. Rege os astrólogos e os e os que brilham pelo intelecto, dotados em diversas áreas científicas e literárias, portadores de visões, do conhecimento e de profecias (por influência de Júpiter), inclinados para a investigação e tendenciosos nas artes divinatórias.

Do ponto de vista espiritual, analisando o mapa do exmeplo a força gerada pelo Spiritus do sujeito é canalizada para as Motivações Primárias, para os Talentos, Habilidades e para o Corpo/Imagem. Portanto, ao longo da sua existência é de extrema importância que desenvolva o espírito racional, que o discipline e que expresse os talentos de forma saudável e harmoniosa.  Este será um padrão constante, como uma força motriz, sendo mais notório quando demonstrado por trânsitos, profecções, firdaria, revolução solar ou outras técnicas preditivas.

Contudo, essa será a área que sofrerá mais interferências e onde será exigido um maior controlo e estabilidade.  Os ‘espíritos’ à nossa volta, que podem ter forma ou não, afectam de forma poderosa os nossos estados e a nossa perspectiva cognitiva. Portanto, um pai, mãe ou familiar que está muito nervoso e alterado, depois de um dia de trabalho tenso e frustrante, vai interferir com o nosso Spiritus. Da mesma forma, que um amigo(a) quando chora e ou desabafa, demonstrando melancolia e tristeza vai condicionar o nosso Spiritus com tais emoções. Influências estas provenientes de espíritos exteriores que podem condicionar facilmente os nossos estados, caso não saibamos formas de protecção física e ou energética. Pois tudo é energia, que exige um equilíbrio e um fluxo, desde os laços sociais que nos condicionam à comida que ingerimos, ou o ar que respirámos.

A mesma coisa acontece com o Spiritus dos Planetas que nos indicam que tipo de influências exercem numa determianda casa e que podem ser más o boas influências tendo em conta a sua condição zodiacal. Através da natividade podemos encontrar 5 tipos de Spiritus:

– Casa I é o Ingenium;

– Casa XII é o Malus Daemon/Cacodaimon ou o Mau Espírito;

– Casa XI é o Bonus Daemon/Evdaimon ou o Bom Espírito;

– Casa IX é Deus;

– Casa III é Deusa;

Os magos e os filósofos medievais acreditavam que todos as coisas vivas e animadas eram consideradas, hierarquicamente, de acordo com o nível da sua existência. Portanto, é espelhado um sistema de níveis, que variam desde a matéria/substância até aos reinos minerais, vegetais, animais, humano, angélico/demoníaco e por fim Deus ou Absoluto.

Alguns dos astrólogos medievais usavam a Astrologia em simultâneo com a magia, pois compreendiam os diferentes Spiritus das coisas existentes, e sabiam como interagir com, para próprio benefício ou em prol das vontades de outros.

A Astrologia Electiva era utilizada para a fabricação de talismãs com os mais diversos propósitos, através de Imagens ou de Sigil. Alguns Nigromancers verificavam os resultados das suas práticas através de invocações e investigações por meio de clarividência, para os comparar com ajuda de Astrologia Horária. Seja como for, entre estas práticas as variadas hierarquias eram invocadas e sintonizadas para as mais diversas intenções.

Observe um dos exemplos usado por Guido Bonatti na prática de exorcismo:

“Se desejas eleger um momento para expulsar um fantasma, ou um espírito maligno que aterroriza ou perturba um lugar ou uma casa, ou alguma forma absurda e terrível que nada tem de bom em si ou no ente querido, e desejas criar medicina ou executar um exorcismo, usa o Ascendente e o seu Regente, mas que não esteja em Caranguejo, Leão, Escorpião ou Aquário. Não deixes também que a Lua esteja num desses signos. Faz com que o Ascendente esteja em outros Signos, assim como a Lua, mas junta esta a um benéfico afortunado.”

Nos 7 Segmentos de Girolamo Cardano, este demonstra uma das configurações associadas ao uso de feitiçaria:

“Mercúrio como Significador de Doença em aspecto com Saturno ou vice-versa demonstra suspeita de feitiçaria e encantamentos.”

Assim como de Nicholas Culpeper:

“O Regente da Casa XII na Casa VI mostra feitiçaria e possessão por maus espíritos: e caso seja um Regente Maléfico, podes assumir como garantido.”

Ainda hoje, certos tipos de práticas ou áreas ditas esotéricas são severamente criticadas e vistas com desdenho, englobando até grupos de assumidos New Ager´s, tendencialmente receptivos a novas perspectivas e filosofias espirituais, que refutam ou ignoram a essência de tais áreas, quando de facto nem têm a capacidade de cometer os atos que auguram ou de agir segundo a moralidade que transparecem nas esferas ditas espirituais. É também, de certa forma, um paradoxo que os astrólogos ocidentais, ditos modernos e contemporâneos não têm qualquer problema em aceitar a magia dos Hindus, a magia dos budistas tibetanos, a magia dos índios americanos ou a magia dos aborígenes australianos, mas quando de facto têm oportunidade para experimentar ou executar certas práticas mágicas, ou até de comprender de forma mais aprofundada, fogem e permanecem na superficialidade do saber, ignorando que tais práticas existem dentro da sua própria comunidade, por medo que tal conhecimento mude as suas perspectivas cognitivas do seu mundo feito de arco-íris.

O astrólogo oriental, hindu ou budista, em primeiro de tudo, dirá sabiamente que a prática religiosa ou o Sadhana, é um dos meios para se desviar das influências hostis. Na tradição judaica, existe a doutrina “Não há signos para Israel”, em que o devoto que pratica avidamente o Mitzvah e as requeridas práticas religiosas, está a salvo das influências dos astros. Os mesmos astrólogos orientais irão aconselhar, caso tenhas um problema, que rezes para um dos deuses ou deusas, para ajudar no tipo de assunto. O astrólogo, segundo a sua prática irá dizer qual dos deuses deves procurar, que tipo de prece deves fazer e como atingir tal benesse.

Entre os Indianos e Budistas, existe um conceito de adoração aos ancestrais ou do culto aos Pitris, que segundo a teosofia foram os progenitores da raça humana: uma classe de espíritos assumidos como Os Originais. Estes eram os Manes na tradição romana, e os Lares e Penates.

Já na cultura ocidental, na Igreja Católica e Anglicana é prática popular comum procurar ajuda e por misericórdia perante deus, santos ou mártires. Existe uma prática oculta que sobreviveu e ainda remanesce nos dias de hoje no seio do catolicismo, contudo quase esquecida: o uso dos Salmos como feitiços mágicos para produzir uma defesa ou barreira contra outras feitiçarias. Esta prática estava em voga principalmente no século XVII e estava bem viva nas colónias americanas. Note um dos Salmos usado contra inimigos e ladrões:

“Contempla, Deus é a minha Salvação. Eu vou confiar e não vou temer, pois o Senhor Jeová é a minha força e a minha canção. Ele também se tornou a minha Salvação. Para que as estrelas do céu e as suas constelações não projectem a sua luz. O Sol deve tornar-se escuro no seu caminho e a Lua não deve reflectir a sua luz. E contempla, à tarde, problemas, e antes da manhã, Ele não o será. Esta é a porção que nos prejudica.”

O dito astrólogo tem à sua disposição uma série de alternativas tais como naturopatia, homeopatia, herbalismo e florais que servem de boas medicinas contras as mais diversas aflições, e algumas providenciam uma similaridade entre a Astrologia e a designada Materia Medica (usada desde o Império Romano, mas que hoje é conhecido por farmacologia). Mesmo as medicinas criadas pelas práticas da Alquimia, que foram bastante usadas e praticadas no Ocidente em tempos mais remotos, impulsionadas principalmente por Paracelsus. Todas estas práticas são hoje ignoradas, refutadas e até menosprezadas por ignorância e estupidez, até por astrólogos.

Além disso os astrólogos indianos aconselham os seus clientes a vestiram roupas de uma determinada cor, em dias particulares, e em ocasiões particulares. Algo que é popularmente comum na índia. Entre os Europeus e Americanos, esta é apenas uma superstição. Contudo as cores, apesar de serem utilizadas para propósitos de estética, moda, design e artes, geram um impacto tremendo nas dinâmicas sociais e é comprovado que alteram certos estados mentais e emocionais. Angela Merkel, Chanceler da Alemanha, reconhece os efeitos do usos das cores e as utiliza nos seus eventos quanto tender a dirigir-se ao público para falar de um determinado tema ou assunto. É também bastante utilizado em campanhas políticas e de marketing.

O Astrólogo ou o Ocultista sabe que existem outros ‘mundos secretos’ ou dimensões, e reconhecem 7 poderes ou faculdades:

– A Lua representa as visões e os sonhos;

– Mercúrio, a análise e a razão;

– Vénus, o amor e a beleza;

– Sol, a sabedoria do coração e as virtudes;

– Marte, o conflito e a ira;

– Júpiter, a tradição e o conhecimento;

– Saturno, a sabedoria e os cultos;

Os alquimistas designam a procura dos segredos da natureza, por V.I.T.R.I.O.L (Visita o Teu Interior, purificando-te, encontrarás o Teu Eu Oculto), que é a recognição das virtudes inferiores e superiores. Também considerado como uma palavra-passe para os místicos “Abre-te Sésamo, para o Mundo Oculto dos Deuses”.

O Picatrix diz-nos que o amor é essencial quando pretendemos perceber a nossa relação com as visões, com os sonhos, com os nossos relacionamentos e com as nossa motivações, e faz-nos atingir aquilo que se designa por Natura Completa. A perfeita recognição da nossa essência que nos faz entender a razão, a beleza, as nossas virtudes, o dinamismo, a tradição, a Sabedoria, na procura pelo nossa Verdade e do perfeito equilíbrio com o nosso Spiritus.

Spiritus denota a parte imaterial de um ser ou pessoa, de uma inteligência, ou de uma forma distinta separada da nossa existência material e física. Pode concluir que a astrologia pouco tem a dizer sobre espiritualidade, contudo a Igreja considera-se a si mesma a solo, a representação de Deus, dos Anjos e dos Mártires na Terra, e nunca gostou de hereges, como os astrólogos. Mas, na base da astrologia (exotérica) aceite como ciência celestial natural, assentam os princípios cabalísticos e do hermeticismo, cheia de espíritos.

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