A Influência das Estrelas na Astrologia

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A Influência das Estrelas na Astrologia

De conhecimento geral sabe-se que a Terra gira sobre o seu eixo, e completa uma volta em 23h56min4seg, e compreende-se que todas as estrelas ascendem a Este no horizonte e descendem a Oeste. Aqueles que praticam Astrologia sabem que tudo acontece numa grande Esfera Celeste onde os limites da Terra são expandidos até as constelações mais distantes que aparecem nos céus.

Na Astrologia praticada actualmente, numa base mais contemporânea e dita moderna, o cosmos é atraído para a análise do indivíduo e da sua personalidade, ao invés de uma expansão das virtudes humanas num sentido universal. A representação da cosmologia de Claudius Ptolemaeus perde então o seu significado e sabedoria. O ego é engrandecido por tudo o que gravita à sua volta e o tipo de natureza que demonstra, tornando-se ele a representação da Esfera Celeste. Desta forma a Astrologia Natal ganhou maior notoriedade com a influência da psicologia (principalmente de Carl Jung), e novos conceitos foram definidos, assim como, uma nova abordagem no tipo de delineações ao mapa natal de cada indivíduo.

Signos e Constelações são dois termos completamente distintos, o facto de se dizer Signo de Aries (Carneiro) não está relacionado com a Constelação de Carneiro e há uma razão lógica e clara sobre essa distinção. 

Se observar o céu durante a noite, poderá ver as Estrelas Fixas das 12 Constelações que se agrupam em determinadas formas, lembrando animais, figuras ou a fisionomia de um humanóide, e todas as Constelações possuem uma extensão distinta de todas as outras. O que é observado é então o Zodíaco de Constelações. Com o desenvolvimento da Astrologia e das diferentes cosmologias, hoje temos o Zodíaco Tropical e o Zodíaco Sideral. Ambos os tipos são compreendidos por um sistema de divisão do Zodíaco em 12 partes iguais, com o mesmo tamanho. Mas nos tempos em que se praticava uma astrologia mais primitiva, sabendo que astrologia e astronomia eram ambas a mesma coisa, existia apenas um Zodíaco.

Claudius Ptolemaeus, nos seus dias, já equiparava o Zodíaco Sideral ao Tropical e sabia da diferença entre eles porque estava informado sobre o trabalho de Hiparco de Nicea relativamente à Precessão dos Equinócios e das distinções entre Ano Sideral e Ano Trópico. Na obra ‘Almagest’, Claudius Ptolemaeus faz várias referências ao trabalho de Hiparco e do seu valioso trabalho na Matemática e Astronomia.

A Precessão dos Equinócios consiste num fenómeno astrológico provocado por uma pequena e lenta oscilação no eixo da Terra sobre o Pólo Norte Celestial. Claudius Ptolemaeus acreditava que o eixo oscilava 1 Grau a cada 100 anos, mas isso acontece a cada 72 anos para ser mais exacto. Em causa da Precessão dos Equinócios, o Ponto Vernal retrograda pelas 12 constelações a cada 25, 920 anos. Quando ocorre uma volta completa acontece aquilo que se chama de Grande Ano. Então todas as estrelas movem-se no céu, obrigando ao cálculo da diferença causada no sentido de encontrar a posição certa das estrelas.

O Zodíaco Sideral e Tropical que hoje conhecemos e distinguimos eram coincidentes por volta do Ano 0. Por volta do Século II antes de Cristo, a Estrela Fixa Beta Arietis ou conhecida como al-Sharatan marcava o Ponto Vernal no Equinócio da Primavera. E no Século II depois de Cristo, a Estrela Fixa Spica era usada por Claudius Ptolemaeus para identificar o Equinócio do Outono. Com o passar dos anos, os Signos derivavam lentamente das Constelações, e tais posições consideradas e que convergiam num só Zodíaco, perdiam o alinhamento e notavam uma ligeira margem de erro nas posições das Constelações/Signos . Então, o tempo separou os Signos das Constelações. Alguns astrólogos preferiram continuar com os Signos (Zodíaco Tropical), e outros preferiram continuar com as Constelações (Zodíaco Sideral).

A diferença entre o Zodíaco Sideral e o Zodíaco Tropical, é que o Zodíaco Sideral consiste numa divisão de 12 partes de 30˚ da Eclíptica medida desde o início da Constelação de Carneiro. Enquanto que o Zodíaco Tropical compreende-se como uma divisão da Eclíptica em 12 partes de 30˚ de acordo com o progresso do Sol ao longo do ano que inicia no Ponto Vernal.

Desta forma cada fase sazonal é constituída por 3 Signos que no total dá as 4 estações do ano compreendidas pelos 12 Signos, em que cada um possui 30˚ na divisão da Eclíptica. Então, o Zodíaco Sideral baseia-se numa divisão do Espaço, espaço esse que é divido de acordo como o tamanho do Zodíaco em particular. Enquanto que, o Zodíaco Tropical compreende-se como uma divisão do Tempo, ou de um tempo sazonal, em que cada Estação é dividida em Início, Meio e Fim.

Para se entender o tipo de influência das Estrelas é necessário olhar mais adiante. Fora do conhecido Zodíaco ou da Roda dos Animais existem constelações zodiacais extra. Na prática astrológica são reconhecidas 48 Constelações, sendo que 12 dessas representam aquilo a que chamamos de Signos no Zodíaco Tropical. E as restantes, são consideradas Constelações extra, sendo 36. Estas eram usadas como referências e como meio de codificação de certas informações práticas e filosóficas que eram passadas de geração em geração por aqueles que seguiam as passadas do Hermetismo e do Sabeísmo, ou então, para guardar segredos apenas para aqueles que podiam ler sobre as estrelas. Sabedoria essa que representava as mitologias e as verdades universais que conhecemos hoje e que serviam determinados propósitos nesse tempo. Algumas das constelações foram inventadas ou re-inventadas por volta do Século XV e XVI e marcou uma certa variação entre as constelações conhecidas de agora e as antigas.

Aquele que olha para os céus e decifra a informação nas imagens unidas pelas estrelas demonstra uma certa familiaridade na sua contemplação. Sente uma certa nostalgia em relação a essas, um cenário cheio de maravilhas e de mistérios, como se elas falassem ao ouvido, velhas amigas impossíveis de serem corrompidas.Sempre lá estiverem e serviram de tecto ao longo da nossa história, marcando os acontecimentos mais importantes e as noites de êxtase. Embora o ser humano tenha um prazo curto de vida, a informação e as mensagens continuam gravadas nas suas imagens e no que sempre representaram, independentemente do tempo e da sua adulteração. Os descobridores e conquistadores dependiam desta relação mnemónica com as estrelas que fora amplamente difundida e desenvolvida pelas várias culturas que usufruíam das suas posições para se guiarem.

 

 

Quando uma determinada Constelação ascendia no horizonte com o Sol, sabia-se que uma estação iria começar ou determinaria o tempo dessa, como os fenómenos de Equinócios e Solstícios. Quando os Egípcios elaboraram o primeiro calendário, este iniciava no dia em que Sol ascendia com a Estrela Sirius (da Constelação de Cão Maior), e Cancer (Caranguejo) era considerado o primeiro signo do Zodíaco Egípcio, e não Aries (Carneiro) como identificamos hoje em dia. Esse mesmo dia coincida com a subida das águas do Rio Nilo, um fenómeno anual bem explorado pelos egípcios na sua agricultura e separação de águas. Portanto, grande parte da economia da sociedade egípcia da altura dependia dos conhecimentos astrológicos/astronómicos e considerava-se que as Estrelas tinham um grande poder, usado de forma calendarizado. Era fulcral para a obtenção de um tipo de argila que manipulavam para as suas actividades e fabricação de recipientes, entre outras coisas.

As Constelações possuem também uma espécie de influência mnemónica, tal como utilizamos os dedos da mão e os seus intervalos para contar os meses do ano, que distingue aqueles que têm 31 dias daqueles que têm menos. A palavra mnemónica deriva da Titânide Grega Mnemósine, filha de Urano e Gaia e personificava a memória. No mundo antigo sabiam da importância das estrelas e mantinham uma espécie de sabedoria guardada nas constelações para diversos fins, que se manteve secreta em várias culturas. Para que se entenda esta influência relativamente às constelações, basta que olhe para as estrelas e imagine o elo entre elas. Numa primeira instância, começará a visualizar formas e ligações, dando a parecer um determinado animal, forma ou uma figura humanóide, pois a mente apenas vê aquilo que conhece e padroniza.

Algumas que se destacam são as estrelas da Constelação de Taurus (Plêiades), as estrelas da Constelação de Orion (Rigel, Betelgeuse) e as estrelas do Cinturão de Orion, conhecidas pelas Três Marias (Mintak, Alnilam e Alnitak). É muito fácil identificar Orion, o Gigante Caçador, talvez a Constelação mais reconhecível e admirada ao longo dos tempos, e muitas histórias se conta sobre ela. Como vê na imagem facilmente reconhece o Cinto do Caçador e o resto da sua forma, basta que projecte esta imagem na sua mente e breve julgará o arquétipo do caçador dos céus.

Orion estava a apaixonado por Merope na Ilha de Chios e ganhou a sua mão pela bravura de ter afastado todos os animais selvagens da ilha. Mas, Oenopion, o seu pai, recusava-se a deixar que a filha casa-se com ele. Orion então embebedou-se e raptou Merope. Por vingança, o seu pai Oenopion, cegou Orion.

Orion, que tinha o poder de andar sobre as águas, descobriu o seu caminho para Lemnos. Lá encontrava-se o Deus do Fogo e do Metal, Hephaestus, que lhe providenciou um dos seus assistentes, o anão Cedalion, e Orion o colocou sobre os seus ombros. Orion pede então a sua orientação em direcção ao Sol ascendente. Cedalion o orienta para Este, para que a sua visão fosse restituída pelos raios do Deus-Sol Helius e enquanto lá permanecia chamava a atenção de Eos, a Deusa do Amanhecer. Quando retornou para a sua vingança sobre Oenopion, Orion fora incapaz de o encontrar. Desde então que o persegue para que consiga a vingança.

Através desta história consegue ter informação associada à Constelação, e de certa forma perceber o código por trás desta. Será capaz de ‘hipnotizar’ qualquer indivíduo e fazendo o observador mais perceptivo à informação que providencia. Consegue invocar a sua imaginação, fazendo com que visualize certos detalhes na sua mente, e de certo modo inseminar ou doutrinar com determinada informação. E isso faz com que demonstrem um poder mnemónico associado.

Nas antigas religiões eram percebidas como conhecimento moral e cientifico. Os astrólogos que se orientam por uma Astrologia baseada em princípios psicológicos actuais, frequentemente vêem esses mitos como arquétipos, e como tal, descrevem o nativo e os eventos representados com associações dos mitos. Mas, o poder mitológico vai além da psicologia individual, da sociologia ou dos princípios culturais. Os astrólogos indianos por exemplo conhecem imensos mitos sobre os seus deuses e deusas, e uma determinada configuração astrológica estás associada a um mito, pois tal forma de astrologia baseia-se nas parábolas dos deuses que reside nas fundações espirituais e culturais da sociedade indiana. Em parte do programa educativo, o mestre ou o professor que ensina e inicia o aluno nos mistérios das estrelas, o leva para o exterior para que esse possa aprender as estrelas no céu e todas as suas histórias. Esta prática considerava-se até uma forma de magia que alterava a condição do aluno para um determinado propósito, através da imposição de estados alterados de consciência através da contemplação e meditação.

Portanto, olhando para as estrelas e percebendo a mensagem dessas, pode-se dizer que estas possuem vários tipos de influência ou poder, manifestando-se através da imaginação, da visualização ou de outras formas receptivas essas.

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