A Influência das Estrelas na Astrologia

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A Influência das Estrelas na Astrologia

De conhecimento geral sabe-se que a Terra gira sobre o seu eixo, e completa uma volta em 23h56min4seg, e compreende-se que todas as estrelas ascendem a Este no horizonte e descendem a Oeste. Aqueles que praticam Astrologia estão cientes destas dinâmicas das Estrelas, sabem que tudo acontece numa grande Esfera Celeste onde os limites da Terra são expandidos até as constelações mais distantes que aparecem nos céus. Contudo, os ditos astrólogos contemporâneos apenas dão maior relevância aos Signos do Zodíaco e aos Planetas. Signos e Constelações são dois termos completamente distintos, o facto de se dizer Signo de Aries (Carneiro), não está relacionado com a Constelação de Carneiro e há uma razão lógica e clara sobre essa distinção. 

Se observar o céu durante a noite, poderá ver as Estrelas Fixas das 12 Constelações que se agrupam em determinadas formas, lembrando animais, figuras ou a fisionomia de um humanóide, e todas as Constelações possuem uma extensão distinta de todas as outras. O que é observado é então o Zodíaco de Constelações. Pelo desenvolvimento da Astrologia e das diferentes cosmologias, hoje temos o Zodíaco Tropical e o Zodíaco Sideral. Ambos os tipos, são compreendidos por um sistema de divisão do Zodíaco em 12 partes iguais, com o mesmo tamanho. Mas em nos tempos em que se praticava uma astrologia mais primitiva, sabendo que astrologia e astronomia eram ambas a mesma coisa, existia apenas um Zodíaco.

Claudius Ptolemaeus, nos seus dias já equiparava o Zodíaco Sideral ao Tropical, certamente sabia da diferença entre eles porque estava informado sobre o trabalho de Hiparco de Nicea relativamente à Precessão dos Equinócios e das distinções entre Ano Sideral e Ano Trópico. Na obra ‘Almagest’, Claudius Ptolemaeus faz várias referências ao trabalho de Hiparco de Nicea e do seu valioso e importante trabalho na Matemática e Astronomia.

A Precessão dos Equinócios consiste num fenómeno astrológico provocado por uma pequena e lenta oscilação no eixo da Terra sobre o Pólo Norte Celestial. Claudius Ptolemaeus acreditava que o eixo oscilava 1 Grau a cada 100 anos, mas isso acontece a cada 72 anos para ser mais exacto. Em causa da Precessão dos Equinócios, o Ponto Vernal retrograda pelas 12 constelações a cada 25, 920 anos. Quando se dá uma volta completa acontece aquilo que se chama de o Grande Ano. Então todas as estrelas movem-se nos céus em causa disto, obrigando ao cálculo da desfasagem no sentido de encontrar a posição certa das estrelas.

Todos os Zodíacos, das Constelações, Sideral e Tropical eram coincidentes por volta do Ano 0 (pela altura do nascimento de Cristo). Por volta do Século II antes de Cristo, a Estrela Fixa Beta Arietis ou conhecida como al-Sharatan marcava o Ponto Vernal no Equinócio da Primavera. E no Século II depois de Cristo, a Estrela Fixa Spica era usada por Claudius Ptolemaeus para identificar o Equinócio do Outono.

Com o passar dos anos, os Signos derivavam lentamente das Constelações, tais posições consideradas e que se achavam coincidentes entre os Zodíacos, deixavam de estar coincidentes com o passar dos anos, e percebeu-se que havia uma certa desfasagem e em causa disso, uma margem de erro. Então, o tempo separou os Signos das Constelações. Alguns astrólogos preferiram continuar com os Signos (Zodíaco Tropical), e outros preferiram continuar com as Constelações (Zodíaco Sideral). Todas as divisões de ambos os Zodíacos (Tropical e Sideral) apresentam os mesmos nomes, os 12 nomes que se aplicam às 12 divisões da Eclíptica que se chamam Signos.

A diferença entre o Zodíaco Sideral e o Zodíaco Tropical, é que o Zodíaco Sideral é uma divisão de 12 partes de 30˚ (360˚) da Eclíptica medida desde o início da Constelação de Carneiro. Enquanto que o Zodíaco Tropical, compreende-se como uma divisão da Eclíptica em 12 partes de 30˚ (360˚), tendo em conta, o progresso do Sol ao longo do ano, que começa no Ponto Vernal. Desta forma cada fase sazonal é constituída por 3 Signos, que no total dá as 4 estações do ano compreendidas pelos 12 Signos, em que cada um possui 30˚ na divisão da Eclíptica. Então, o Zodíaco Sideral baseia-se numa divisão do Espaço, espaço esse que é divido de acordo como o tamanho do zodíaco em particular. Enquanto que, O Zodíaco Tropical compreende-se como uma divisão do Tempo, ou de um tempo sazonal, em que cada Estação é dividida em Início, Meio e Fim.

Para se entender o tipo de influência das Estrelas é necessário olhar mais adiante. Fora do conhecido Zodíaco, ou da Roda dos Animais, existem constelações zodiacais extra. No total, são reconhecidas na prática astrológica, 48 Constelações, sendo que 12 dessas representam aquilo a que chamamos de Signos, os 12 Signos. E as restantes, são consideradas Constelações extra, sendo 36. Estas eram usadas como referências e como meio de codificação de certas informações práticas e filosóficas que eram passadas de geração em geração por aqueles que seguiam as passadas do Hermeticismo e do Sabeísmo, ou então, para guardar segredos apenas para aqueles que podiam ler sobre as estrelas. Sabedoria essa, que representava em parte as mitologias e as verdades universais que conhecemos hoje e que serviam determinados propósitos desde esse tempo. Algumas das constelações foram inventadas ou re-inventadas por volta do Século XV e XVI e marcou uma certa variação entre as constelações conhecidas de agora e as antigas. Seja como for, existe uma espécie de familiaridade entre o observador que olha para os céus, pois pela razão do ser humano ter um curto prazo de vida, elas continuam sempre lá em cima sobre o mesmo cenário. Aquele que olha, sente uma certa nostalgia em relação a essas, um cenário cheio de maravilhas e de mistérios, como se elas falassem ao ouvido, como se fossem velhas amigas impossíveis de serem corrompidas. O ser humano servia-se desta nos tempo dos descobrimentos, dependiam da posição dessas, como guias no caminho, e grandes achados foram realizados em causa dessas.

 

 

Para os mais atentos, e para aqueles que decifravam os céus, as estrelas em si mesmas possuíam uma influência cósmica, como se contassem uma história sobre quem são e o que faziam, que alguns astrólogos conhecem e sabem como julgar, especialmente aqueles que praticam uma astrologia de raízes indianas.

Quando uma determinada Constelação ascende no horizonte com o Sol, sabe-se que uma estação vai começar ou determina o tempo dessa, como os fenómenos de Equinócios e Solstícios. Quando os Egípcios elaboraram o primeiro calendário, este iniciava com o dia em que Sol ascendia com a Estrela Sirius (da Constelação de Cão Maior) e Cancer (Caranguejo) era considerado o Primeiro Signo do Zodíaco Egípcio, e não Aries (Carneiro) como sabemos hoje em dia. Esse mesmo dia coincida com a subida das águas do Rio Nilo, um fenómeno anual bem explorado pelos egípcios na sua agricultura e separação de águas. Portanto, grande parte da economia da sociedade egípcia da altura, dependia dos conhecimentos astrológicos/astronómicos, e considerava-se que as Estrelas tinham um grande poder, tal poder que era usado de forma calendarizado. E através deste, obtinham das terras um tipo de argila que era muito utilizada nas suas actividades e fabricação de recipientes, entre outras coisas.

As Constelações possuem também uma espécie de influência sobre a mente ou memória, um poder mitológico associado, como códigos que providenciam informações e instruções sobre algo. A isto designa-se também de influência mnemónica, tal como utilizamos os dedos da mão e os seus intervalos para contar os meses do ano, que distingue aqueles que têm 31 dias daqueles que têm menos. A palavra mnemónica deriva da Titânide Grega Mnemósine, filha de Urano e Gaia e personificava a memória.

No mundo antigo e aqueles que praticavam astrologia, principalmente os devotos do Sabeísmo, sabiam da importância das estrelas e mantinham uma espécie de sabedoria guardada nas constelações que podia ser usada para diversos fins, que se manteve secreta em várias culturas. Para que se entenda esta influência relativamente às constelações, basta que olhe para as estrelas e imagine os elos entre elas. Numa primeira instância, começará a visualizar formas e ligações entre elas, dando a parecer um determinado animal, forma ou uma figura humanóide, pois a mente apenas vê aquilo que conhece e padroniza.

Algumas que se destacam são as Estrelas da Constelação de Taurus (Touro), como as Plêiades e as Estrelas da Constelação de Orion, como Rigel, Betelgeuse e as estrelas do Cinturão de Orion, conhecidas pelas Três Marias (Mintak, Alnilam e Alnitak). É muito fácil identificar Orion, o Gigante Caçador, é talvez a Constelação mais reconhecível e admirada ao longo dos tempos, e muitas histórias se conta sobre ela. Como vê na Imagem reconhece-se facilmente o Cinto do Caçador e o resto da sua forma, basta que projecte esta imagem na sua mente e breve julgará o arquétipo do caçador nos céus, e preste com atenção uma das suas histórias:

Orion estava a apaixonado por Merope na Ilha de Chios e ganhou a sua mão pela bravura de ter afastado todos os animais selvagens da ilha. Mas, Oenopion, o seu pai, recusava-se a deixar que a filha case com ele. Orion então embebedou-se raptou Merope. Por vingança, o seu pai Oenopion, cegou Orion. Orion, que tinha o poder de andar sobre as águas, descobriu o seu caminho para Lemnos. Lá encontrava-se o Deus do Fogo e do Metal, Hephaestus, que lhe providenciou um dos seus assistentes, o anão Cedalion, e Orion o colocou sobre os seus ombros. Orion pede então que seja orientado em direcção ao Sol ascendente. Cedalion o orienta para Este, para que a sua visão fosse restituída pelos raios do Deus-Sol Helius e enquanto lá permanecia chamava a atenção de Eos, a Deusa do Amanhecer. Quando ele retornou para a sua vingança sobre Oenopion, Orion fora incapaz de o encontrar. Desde então que o persegue para que consiga a vingança.

Através desta história consegue ter informação associada à Constelação, e de certa forma perceber o código por trás desta. Fazendo isto, será capaz de ‘hipnotizar’ qualquer indivíduo e fazendo o observador mais perceptivo à informação de providencia. Consegue invocar a sua imaginação, fazendo com que visualizem certos detalhes na sua mente, e de certo modo inseminar ou doutrinar com determinada informação. E isso faz com que demonstrem um poder mitológico associado. Tais mitos, são por si mesmos constituídos por simbologia de um profundo significado que vai além da relação que as constelações demonstram entre si. As Estrelas por si mesmas, nas antigas religiões eram percebidas como conhecimento moral e cientifico. Os astrólogos que se orientam por uma Astrologia baseada em princípios psicológicos actuais, frequentemente vê esses mitos como arquétipos, e como tal, descrevem o nativo e os eventos representados com associações dos mitos. Mas, o poder mitológico vai além da psicologia individual, da sociologia ou dos princípios culturais. Os astrólogos indianos por exemplo conhecem imensos mitos sobre os seus deuses e deusas, e uma determinada configuração astrológica estás associada a um mito, pois tal forma de astrologia baseia-se nas parábolas dos deuses que reside nas fundações espirituais e culturais da sociedade indiana. Em parte do programa educativo, o mestre ou o professor que ensina e inicia o aluno nos mistérios das estrelas, o leva para o exterior para que esse possa aprender as estrelas no céu e todas as suas histórias. Esta prática considera-se até uma forma de magia que altera a condição do aluno para um determinado propósito, como se fosse uma hipnotização ou a imposição de estados alterados através da visualização. E aqui reside o poder mnemónico associado às constelações.

Portanto, olhando para as estrelas e percebendo a codificação dessas, pode-se dizer que estas possuem vários tipos de influência ou poder, que podem se manifestar através da hipnose, pela imaginação, pela visualização, pela receptividade em relação a estes e pelos factores culturais e históricos, sendo mais evidentes no Egipto.

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