A tradição hermética surge por volta dos 300 anos antes de Cristo. Compreende-se o hermetismo ou hermeticismo como os estudos gnósticos presentes em Corpus Hermeticum, um complexo sincretismo religioso de múltiplas influências, entre elas egípcias, escrito por Hermes Trismegistus.
Hermes fora reconhecido como tal no Egipto por volta de 300 a.c. Mas, a história do período helenístico conta que a ‘fusão’ de Hermes com Thoth, divindade do Egipto, aconteceu 300 anos antes, pois Hermes e Thoth são considerados um só. Esta compilação de textos místicos, teosóficos e filosóficos criada por Hermes, apresenta alguns aspectos práticos e fundamentais sobre as artes ocultas, da Astrologia, Alquimia e Magia que constituem a obra.
Esta ‘tradição’ manteve-se até ao século VI depois de Cristo, influente nos centros de culto do Médio Oriente, passando pela Alexandria e pela Escola de Neo-Platonismo da Síria, mais tarde para Harran e Baghdad. Entre os estudiosos de Harran e outros que praticavam as artes herméticas, usavam os textos herméticos como base teórica e racional sobre a existência do homem e o que este deveria atingir para tornar-se mestre de si mesmo.
Na difusão deste conhecimento pelo mundo árabe, os textos herméticos alcançaram a Espanha, depois da grande batalha dos Mouros na conquista do território espanhol. Mais tarde, a corte de Frederico II da Prússia em Sicília, deu lugar a um ponto de encontro de ocultistas islâmicos e cristãos do seu tempo tais como, Guido Bonatti, Michael Scot, Al-Qasim e entre outros. Considerado um marco importante na história do hermetismo.
Roger Bacon, conhecido como Doctor Mirabilis, foi um dos frades e filósofos mais importantes do seu tempo (século XIII), cuja a sua actividade intelectual deu bastante ênfase às áreas da mecânica, óptica, filosofia e geografia. Foi também um Hermético importante e considerado herético pela ordem dos franciscanos, na condenação pela prática de Astrologia, Alquimia, Magia e de doutrinas tais como o Aristotelismo. Consta-se que R. Bacon tentava formar uma elite de iluminados na altura, e referia Hermes como sendo o ‘Pai dos Filósofos’, o Hermes Mercurius.
Entre os séculos XVI e XVII, o hermetismo fora bastante difundido pelos cantos da Europa na mão de estudantes humanistas, indicado por numerosas traduções e edições do Corpus Hermeticum. E a partir do século XIX, revive, e é amplamente difundido pelos ocultistas e teósofos que estudavam o hermetismo em segredo, visto como áreas controversas e dúbias pela comunidade em geral. A Alquimia também fora enaltecida pela influência dos estudos herméticos durante esse período, cujas extensivas literaturas alquímicas receberam mais atenção pelos filósofos do nosso tempo, como o caso de Carls Gustav Jung, influenciando os seus pensamentos e abordagens no desenvolvimento e investigação da Psicologia, que veio inovar as disciplinas associadas à investigação do comportamento do ser humano. 
Analisando as alturas mais importantes, da prática das artes herméticas, nota-se um avanço ao nível científico, económico e literal em todos os locais em que esta tradição esteve bem presente, mas não há forma de provar a relação entre o hermetismo, nesse aspecto. Por exemplo, grandes avanços foram feitos no período helenístico através de Alexandre, ‘O Grande’ com a criação de uma civilização cosmopolita. Ptolemeu I Sóter, fundador do Reino Ptolemaico, instaurou o socialismo no Egipto, prolongando-se por mais de 300 anos. O Hermetismo influenciou também o desenvolvimento intelectual e científico de Roma, e comparavam Hermes com o deus romano Mercúrio. Fora também uma importante influência na Idade Média, e as práticas herméticas continuaram intactas para os ocultistas até aos dias de hoje. A difusão e propagação do Hermetismo, de facto, exerceu um efeito transformador sobre as áreas e culturas onde foi praticada, passando de geração em geração, preservando os ensinamentos dos sábios gregos, servindo como mote para a investigação e exploração de diversas áreas.





