A Astrologia do Amor

Neste artigo abordo as questões de amor ou de relacionamentos na prática astrológica. Aqueles que desesperam e anseiam por amor, dominados pelos medos das suas próprias expectativas e, por vezes, pelas ilusões, buscam confirmações, vislumbres e sinais afortunados de que a sua beleza fora correspondida. Ansiosos, muitos procuram nas colunas de jornais dedicadas aos horóscopos, procuram nas cartas do Tarot por um “Enamorados” (que pouco se relaciona com amor), procuram nos seus mapas astrológicos uma boa promessa nos seus significados, até a previsão do signo solar sobre esta questão torna-se mais “convincente” do que o arrancar de folhas de uma margarida. Principalmente, procuram indicações e certezas dos afectos envolvidos dele ou dela. 

Nesta atmosfera angustiante misturada com um tom romantizado, notam-se os modos e os comportamentos daquele que foi atingido pela seta do Cupido, fragilizado, sem jeito, que deseja entregar-se nos braços quentes do amor, notam-se as vontades insaciáveis e alcançáveis e a fome e a doçura que lhe ruboriza o rosto. O amor e as necessidades misturam-se sob uma estranha alquimia, circulando intenções e energias num aparente laço entre ambos os envolvidos. A possibilidade de união estará sempre presente enquanto o sonho e a fantasia por amor existir, contudo o sucesso nesta matéria requer muito mais que um desejo, saudade ou ânsia de um coração que bate na incerteza, requer uma vontade mútua e desejada por ambos.

O julgamento nas questões do amor, desta incerteza que predomina, é talvez um dos principais alvos de delineação e dos mais solicitados na prática astrológica. A Astrologia consegue fornecer uma vasta informação nestas matérias, nomeadamente das dinâmicas existentes num relacionamento, da “compatibilidade astrológica” entre os envolvidos e da qualidade da união, contudo, em matérias de previsões, nunca conseguirá responder à questão: “Será que este relacionamento irá funcionar?”

Para o julgamento entre 2 indivíduos a técnica mais utilizada é a Sinastria, que consiste na comparação e na análise dos envolvidos na delineação deste assunto. Contudo, não se vê o amor existente, apenas o perfil astrológico de cada um e de que forma se acoplam mentalmente e emocionalmente tendo em conta o tipo de temperamento e motivações inerentes a cada mapa, se são concordantes ou se repulsam. O pensamento hermenêutico do astrólogo e do que ele pensa sobre o Amor também se torna importante no julgamento destas questões, pois terá o papel de mediador nesta situação.

Podemos encontrar imensas relações e conexões entre os mapas, mas estaremos sempre a excluir as inúmeras hipóteses de ambos se relacionarem ou se atraírem por pessoas fora do relacionamento em análise. O amor de uma união ou de uma possível união entre ambos nunca poderá ser verificada sob o exercício da Sinastria, muito menos sob o exercício de previsões. Salvo se, ambos numa união consciente e consumada desejam a previsão sobre algo que estimule, provoque ou beneficie a união, sob as mesmas motivações e sensações sobre algo, nomeadamente um casamento. Neste caso, será uma experiência rica e interessante de prática astrológica.

Por mais que uma pessoa demonstre uma boa promessa ou uma conjuntura afortunada no seu mapa em questão de relacionamentos, apenas fala da capacidade de se relacionar e da qualidade de afecto que demonstra. Mas isso não valida que ela será feliz num relacionamento com outra pessoa ou que poderá até obter uma considerável riqueza na união, mas o mesmo se pode considerar tendo em conta determinados aspectos e das circunstâncias do momento. Pode até querer dizer que a pessoa necessita de estar comprometida ou juntar-se a alguém, por mais que não a satisfaça no amor, para sentir felicidade e satisfação pessoal.

O amor personificado nos relacionamentos ou na união de um casal pode facilmente mascarar necessidades e vontades que já estão ancoradas desde a infância, nomeadamente dependências de afecto, carinho e atenção. Facilmente remete à ideia de dois seres que se encontram sob o mesmo útero devorando-se mutuamente pelo amor que os rodeia. Contudo, é uma forma de destilação que tanto pode fortalecer o espírito de ambos como também pode corromper o laço afectivo. O que se pode tornar numa questão perfeitamente cármica.

Os motivos que levam as pessoas a se relacionarem ou a uma união podem ser vários, pode até ser mesmo por amor verdadeiro e genuíno, como pode ser por riqueza, por algum tipo de necessidade ou distúrbio, pela beleza ideal ou da genética que possuiu e até pela atracção por alguém parecido com alguma figura paternal ou maternal da nossa vida, que reflecte traços, comportamentos ou disposições semelhantes. São tipo de circunstâncias que podem passar despercebidos na delineação de um relacionamento e que pode fazer toda a diferença no julgamento ou na percepção de um padrão relacional. Não formámos, necessariamente, relacionamentos com aqueles, que aparente, combinámos melhor. Na maioria das vezes atraímos processos bastantes intensos que fazem despoletar o pior da nossa condição psicológica ou até imaturidade no relacionamento com o outro. Mas são esses que reflectem exactamente o que precisámos de reconhecer em nós para poder ser trabalhado e transformado.

Nem sempre o “relacionamento” é o problema e nesta situação a Astrologia actua com uma eficácia fabulosa. Na existência de um padrão em matérias de relacionamento, a pessoa em si torna-se previsível pelo seu temperamento, pelas suas dificuldades, pelas suas perspectivas ou até pela educação e doutrinas que lhe foram injectadas e que interferem no julgamento do parceiro. Este “bolo” fermentado pelo processo mental da pessoa nos relacionamentos pode jogar contra ou a favor da estabilidade de uma união. Também dependerá do parceiro se aceita e compadece com os seus comportamentos e atitudes. No entanto temos uma situação que poderá ser verificada pela prática de previsões tendo em conta as circunstâncias do relacionamento em si, sendo necessária alguma subtileza no julgamento.

A prática de previsões sobre esta matéria é muito interessante pelo “jogo de cintura” necessário com as várias técnicas de previsão. Através da Sinastria podemos comparar o Retorno Solar, Trânsitos e Profecções, as dinâmicas da Casa VII (planetas posicionas e regente), os Luminares, Vénus e as Partes de Casamento. Todos estes indicadores fornecem informações valiosas para o julgamento, mas por mais que forneçam uma grande quantidade de informação nunca responderá à questão: “Será que este relacionamento irá funcionar?”

Posso comparar o meu mapa com a Scarlett Johansson e até demonstrar uma alta taxa de compatibilidade e uma turbulenta paixão que faria inveja a Romeu e Julieta, contudo não existe qualquer ligação emocional e tão pouco a probabilidade de me cruzar com ela. No entanto, a Sinastria demonstrar o potencial de um possível relacionamento baseando-se em indicadores de compatibilidade emocional e mental, mas não confere nem valida o sucesso de uma possível união ou relacionamento. Mas uma vez que o relacionamento esteja estabelecido, a Sinastria torna-se uma ferramenta funcional e útil que ajuda a compreender a ligação existente.

Há métodos que nos ajudam a atingir tal percepção através da delineação do relacionamento, verificando-se:
– O signo que abre na cúspide da Casa VII, quanto ao seu Modo e Elemento;
– Os planetas posicionados na Casa VII;
– O Regente da Casa VII e a sua posição e condição zodiacal;
– Vénus como indicador universal de relacionamentos que indica a qualidade afectiva demonstrada;
– O Sol, no mapa das Mulheres e Lua no mapa dos Homens (assim como o signos, os aspectos e a condição zodiacal);
– O Lote de Casamento, sendo que diferencia para o Homem e Mulher.
– Interacções entre Vénus e Marte e também com outros planetas;

Veja também:

CONSULTA RELACIONAL / SINASTRIA

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